12 de mai de 2010

Às custas das vítimas

O alto preço pago pelas vítimas

As vítimas de incesto sofrem de um grande número de patologias em proporções maiores do que a população francesa:
Depressão: 98% das vítimas indicam sentir atualmente (72%) ou ter sentido no passado (26%) o sentimento regular de estar muito deprimida, enquanto a proporção de Franceses que vive a mesma situação é claramente menor (56%, dos quais 19% a vivem atualmente). As vítimas estão mais sujeitas a comportamentos de risco ou à drogadição como fumar mais de 10 cigarros por dia em média (55% contra 44% em média dos Franceses), de beber mais de 3 copos de álcool por dia (30% contra 17%) ou consumir droga toda semana (27% contra 9%). A grande maioria delas sofre de perturbações compulsivas alimentares como a anorexia ou bulimia (76% contra 9% de Franceses como um todo).
Tentativas de suicídio: 86% das vítimas indicam ter ou ter tido recorrentes ideias ou impulsos suicidas, situação que encontram apenas 14% dos Franceses. Mais grave, a maioria das vítimas já tem passagem ao ato, dado que 53% já tentou o suicídio, das quais, um terço, várias vezes.
O fato de ter sofrido incesto tem múltiplas consequências na vida diária das vítimas. O traumatismo é quase permanente. A lembrança da agressão incomoda frequentemente (94% conhecem esta situação, dos quais 74% vivem ainda atualmente) e têm regularmente pesadelos muito violentos ou perturbadores (86% dos quais 49% atualmente).
Isso tem impacto sobre a vida sexual (77% estão ou já estiveram na impossibilidade de ter uma relação sexual ainda que desejassem) e profissional (68% estão ou estiveram na impossibilidade de concentrar-se ou exercer uma atividade profissional).

A divulgação dos fatos: um processo longo e doloroso
A divulgação intervém em média 16 anos após os fatos. Para cerca de um quarto das vítimas (22%), mais de 25 anos se escoaram antes da primeira evocação aos fatos, um terço, o fez fora do círculo familiar: a primeira vez que falaram, só 28% das vítimas abordaram o assunto com um membro da família, amigos, cônjuges ou especialistas privilegiados. Em contrapartida, 77% das pessoas testemunharam do que viveram à família. Testemunho que não é bem acolhido por uma escuta atenciosa e generosa: quando revelaram pela primeira vez, a maioria das vítimas (55%) indica que seu interlocutor nunca mais falou com elas. Mais grave, uma vítima em cada cinco indica que este último pediu-lhe ou aconselhou-a a guardar silêncio ou pior, colocou em dúvida o seu testemunho acusando-a de mentir.
A confrontação com o agressor é rara e difícil: a maioria das vítimas (56%) nunca falou do que se passou com seu agressor e, quando o fizeram, este último, na maioria dos casos (54%), negou os fatos.
Os fatos traduzem-se muito raramente pela saída judicial. Assim, só 30% das vítimas denunciaram e, quando o fizeram, majoritariamente não houve processo. As pessoas que não denunciaram afirmaram ter agido assim porque os fatos estavam prescritos, enquanto 35% explicam que tiveram medo de serem rejeitadas pela família.
PESQUISA REALIZADA PELA AIVI – Associação de Ajuda às Vítimas de Violência
http://aivi.org
Tradução Mirian Giannella para o Observatório da Clínica
http://apoioasvitimas.blogspot.com

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